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A capital que andou pelo planalto
O Brasil já teve três capitais. Isso não é trivia de concurso: é geografia do poder. Salvador nasceu na baía, olhando o Atlântico do século XVI. O açúcar e o porto pediam água salgada. Em 1763 o eixo foi para o Rio de Janeiro, mais perto das minas e de outra porta do mar. Em 1960, o governo subiu o planalto e plantou Brasília no Cerrado.
A ideia de interiorizar a capital é antiga. A Constituição de 1891 já falava num retângulo no Centro-Oeste. Juscelino transformou o risco em cidade. Lúcio Costa desenhou o avião. Niemeyer pôs as curvas. Mas o dado geográfico que importa na Gautig é outro: o Distrito Federal não toca o oceano. A capital deixou a umidade da Mata Atlântica e foi para a savana, a mais de mil metros de altitude, com chuva de verão e seco de inverno.
Quem visita Brasília e estranha o céu largo está sentindo o Cerrado. Quem estranha a distância do mar está sentindo a decisão de 1960. O mapa do poder saiu da costa — e o país, no papel, ficou menos colado ao porto.
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